AGOSTO, MÊS INSÓLITO: PESQUEIRA PERDE PAULO MELO E AGORA LAURENE MARTINS.

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Meu pai, Pio Jardim, sempre dizia que o mês de agosto era de agruras, de tenebrosas transações, como diria Chico Buarque. Ele sempre citava o suicídio de Getúlio Vargas (24 de agosto de 1954) e a renúncia de Jânio (25 de agosto de 1961) para explicar o mês de agouro. De tanto falar nisso, faleceu justamente no dia 24 de agosto. Coincidência ou não, passei também a não maldizer o mês, mas olhar atravessado para ele.
Segundo a História, herdamos essa tradição dos nossos colonizadores portugueses. No século 16, época das grandes navegações, era nesse mês que as caravelas iam ao mar. Assim, as namoradas dos navegadores nunca casavam em agosto já que, além de não poder desfrutar da lua-de-mel, poderiam passar rapidamente da condição de recém-casadas para a de viúvas.
Segundo o escritor Mário Souto Maior, a tradição se consagrou com a frase “casar em agosto traz desgosto”, que foi resumida para nossa conhecida “agosto, mês do desgosto”.
A fama de mês agourento cresceu no século 20, graças a acontecimentos como os citados pelo meu pai: suicídio de Getúlio Vargas e a renúncia de Jânio, mas a má fama de agosto não é exclusividade da cultura luso-brasileira.
Os romanos, no século 1, acreditavam que um dragão passeava pelo céu noturno em agosto (mês, aliás, batizado por eles em homenagem ao imperador Augusto). O monstro nada mais era do que a constelação de Leão, mais visível nessa época do ano.
Pesqueira parece não estar imune à tradição. Perdemos dois grandes personagens da nossa história recente e olhe que ainda estamos no dia 12. Aliás, o mês não é de todo fatídico devido a aniversários de familiares. A do meu irmão Mauro Jardim, hoje (12), por exemplo.

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MORTES

Pesqueira ainda nem se refez da morte do professor e intelectual Paulo Melo e recebe a notícia do falecimento do maior ícone do Rádio Pesqueirense. Laurene Martins, que aos 88 anos, deixa o município e toda a imprensa de luto.
Segundo o texto de Valdson Maciel Castro, Laurene Martins foi o pioneiro na comunicação em Pesqueira, com nada mais nada menos que 70 anos de História. Ele escreveu que “Laurene Martins, jornalista, locutor, radialista e pioneiro na comunicação da cidade de Pesqueira, era também, uma das últimas reservas culturais dessa cidade”.
“Nasceu na cidade de Pesqueira, na Rua Barão de Vila Bela, no dia 24 de março de 1929, filho de Almerindo Martins de Oliveira, natural de Vitória de Santo Antão (PE) e de Áurea Sena Oliveira, natural de Bezerros-PE, irmão de Lourival (um dos fundadores do SAP), Libério (Aviador), Leonice, Lenildo (Ator) e Leani, viúvo de Gilka de Magalhães Martins, natural de Afogados da Ingazeira (PE), com quem teve três filhos e três netas”, conta.
No dia 21 de setembro de 2015, Laurene completou 70 anos de atividades na comunicação em Pesqueira, como o radialista mais antigo do município. Valdson descreve que “Com a sua grande visão e ousadia, revolucionou a comunicação em Pesqueira, fomentando com seu estilo inconfundível, o ambiente comunicacional dessa cidade”.
Ele narra que Em 1944, com apenas 15 anos de idade, iniciou na radiofonia da PQR – Rádio de Pesqueira, que foi o primeiro serviço de alto-falantes local, findado em 15 de Dezembro de 1945. Em 1946, no dia 19 de março, foi inaugurado o SAP-Serviços de Alto-falantes de Pesqueira, onde Laurene foi um dos fundadores e locutor.
Em 1951, no dia 15 de novembro, com a inauguração da Rádio Difusora de Pesqueira, foi dele a primeira voz a ser transmitida e também, o primeiro discotecário. Depois, passou a apresentar os programas “A Turma da Velha Guarda” e “Meu Louro, Dá Cá o Pé”.
Em 1989, no dia 28 de janeiro, entrou para a Rádio Pesqueira FM, como o primeiro locutor, onde permaneceu até o dia 28 de julho de 1992. Em 2004, no dia 19 de março, como um verdadeiro desbravador da comunicação em Pesqueira, ajudou a trazer de volta os Serviços de Alto-falantes de Pesqueira-SAP, ao lado de Evandro Henrique Wanderley.
Em 2009, no dia 27 de setembro, o seu espírito pioneiro se fez presente, dessa vez, para inaugurar a Web-Rádio da Fundação Cultural-SAP, onde apresenta o programa dominical “Vitrines”, das 20 às 22h, nos moldes da antiga Difusora, sendo também, o primeiro presidente dessa Fundação e, atualmente, era o Presidente de Honra.
Considerado um ícone da comunicação em Pesqueira, era também, reconhecido pela sua extraordinária memória e por grande conhecimento sobre a história dessa cidade e do seu povo, sempre ajudando com a sua simplicidade, a fazer a história da Radiofonia e do jornalismo pesqueirense.
Nos anos 50, esteve sob o seu comando na locução do SAP, um menino pobre de 14 anos, que muito prosperou, chegando à locução da Rádio Globo do Rio de Janeiro, para depois tornar-se o famoso cantor e compositor Paulo Diniz, graças à primeira oportunidade, que lhe foi dada por Laurene.
Presença inconfundível nos veículos de Comunicação em Pesqueira, Laurene era a última testemunha ocular dos principais fatos ocorridos nas últimas décadas em Pesqueira, tendo o privilégio de vivenciar e participar da chamada “Época de Ouro do Rádio”.
Com o poder dos meios de comunicação, ajudou a desbravar Pesqueira de norte a sul e de leste a oeste, integrando as regiões, disseminando uma nova linguagem, levando aos lares cultura, educação, lazer e o mundo para mais perto das pessoas.
Para esse ilustre pesqueirense, as atividades nos meios de comunicação deveriam se caracterizar pelos compromissos com a cidadania, a ética, a consciência cívica e o combate às desigualdades sociais, antes mesmo de se voltarem para o sucesso dos negócios.
A história desse comunicador se confunde com a própria história do rádio Pesqueirense, portanto, é impossível falarmos sobre a antiga Rádio Difusora de Pesqueira e o SAP, sem evocar a grande figura de Laurene Martins e vice-versa, tamanha é a simbiose.
Ao longo de todos esses anos, ele realizou diversos programas de Rádios, apresentações, entrevistas e 2.058 comícios políticos, sendo o primeiro no Distrito de Mutuca, no dia 04 de novembro de 1945. O Rádio sempre foi a sua verdadeira paixão, ideal, sonho e a sua própria razão de viver.
Hoje, aos 88 anos de idade e 70 de locução, Laurene continuava a sonhar, movido pela nobre ideia de servir à comunidade pesqueirense, através da Web-Rádio do SAP. Atualmente, Laurene também era um dos colunistas do Jornal “Pesqueira Notícias”.
“Uma grande homenagem estaria à altura desse homem que, além de tudo, proporcionou melhores dias a milhares de pesqueirenses, através dos meios e serviços de comunicação dessa cidade, onde dedicou toda a sua vida profissional. Ao Jornalista e Radialista Laurene Martins, parabéns pelo seu legado. Ao lutador, palmas pela vitória obtida; Ao sonhador, palmas pelo ideal colimado; Ao viandante, palmas pelo caminho percorrido; Ao operário, palmas pela jornada conquistada. É chegada a hora do reconhecimento, pela sociedade pesqueirense”, escreveu Valdson, num recente artigo no site da WEB Rádio SAP Pesqueira.
A História de Pesqueira, mais uma vez de luto profundo.

Texto: Flávio J Jardim, com artigo de Valdson Maciel Castro.

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