SUCESSO NA PALESTRA DE MONIKA MÜLLER, EM PESQUEIRA

“Não chegaremos ao trabalho na segunda-feira com o mesmo olhar”. A frase dita por profissionais de saúde que participaram de uma série de palestras sobre o Conceito Bobath, a Síndrome do Zika Vírus e o Neurodesenvolvimento, emocionaram os organizadores de um evento de Saúde, que foi realizado, hoje (30), no auditório do PODE, no Seminário São José, em Pesqueira.

A palestra da Fisiatra e médica alemã Monika Müller (naturalizada brasileira) por si só seria o ponto alto do encontro, mas as histórias comoventes de mães de crianças com microcefalia, que “removem montanhas” em busca de tratamento, levaram alguns participantes às lágrimas.

“É muita emoção. Sabemos que o tratamento é difícil, mas temos que lutar pela vida dessas crianças”, destacou a Drª. Stella Guedes de Amorim, que é Fisioterapeuta da Fundação Altino Ventura, e fez a palestra “Síndrome do Zika Vírus”. Ela apresentou um vídeo que mostra toda a trajetória das mães que nunca perdem a esperança e buscam cuidados para seus filhos acometidos da Síndrome do Zika.

Logo pela manhã, a Drª. Alba Valéria Negromonte, da UPE e Facho, que é pediatra, fez uma palestra sobre neurodesenvolvimento e alertou que as mães que tratam seus filhos também precisam de cuidados médicos. “É muito desgastante para uma mãe trazer seus filhos do interior do Estado e ainda ter acompanhar todo o tratamento”, revelou.

Finalizando a parte da manhã, foi a vez da palestra “Uma Visão Sistemática sobre Neurodesenvolvimento: Diagnóstico e Intervenções”, proferida pela renomada médica Monika Müller, que veio a Pesqueira especialmente para o simpósio. Ela explicou o conceito Bobath, que é uma abordagem de tratamento clínico para adultos com derrames cerebrais (AVC), e para crianças com Paralisia Cerebral. Monika diz ainda se emocionar com o caso grave que aconteceu em Pernambuco e que deixou centenas de crianças com microcefalia.

As palestras foram acompanhadas atentamente por dezenas de profissionais de Saúde e de Ação Social da Prefeitura de Pesqueira. Os organizadores do evento preferiram levar pessoas que atuam nos serviços de saúde para que eles repassem a experiência e tenham um novo olhar para esses pacientes.

Deu certo. Todos os presentes se comoveram com o excelente método, com as experiências compartilhadas, e prometem aplicar parte do conhecimento no dia-a-dia de trabalho aqui em Pesqueira.

Segundo Socorro Nery, uma das organizadoras do evento, foi um momento importante para todos os participantes. “Abriu as portas para profissionais da saúde para conhecerem mais sobre o Método Bobath e discutir a reabilitação, as intervenções. São temas atuais e importantes para nossos profissionais, como forma de promover conhecimento atualizado”, comentou Socorro.

A palestra com Monika Müller teve como foco apresentar a especialidade que é pouco conhecida em âmbito nacional e falar um pouco do ponto de vista da fisiatra, a forma de tratamento, os objetivos e os benefícios desse trabalho conjunto para o paciente. “A reabilitação tem evoluído muito, tanto na tecnologia assistida, como também a tecnologia de informática, a robótica, inclusive, tem ajudado muito na vida dos pacientes com deficiência, na melhora da qualidade de vida, independência funcional. A cada dia vemos novos equipamentos, novos tratamentos e estimulação cerebral”, mencionou Müller.

Após o almoço, houve um momento inédito em Pesqueira. A fisiatra fez uma avaliação de duas crianças com paralisia cerebral (PC) para a plateia atenta e provou que novos tratamentos e o empenho dos profissionais de saúde podem melhorar a qualidade de vida desses pacientes. “A primeira meta da reabilitação não é trazer o paciente de volta ao que ele era antes, se isso for possível ótimo, mas a primeira meta é sempre a independência funcional, ou seja, a qualidade de vida”, considera Monika Müller.

Ela destacou a importância do trabalho em equipe: médico fisiatra, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo, nutricionista, enfermeiro, educador físico e ortesista. “Não é um trabalho individualizado, quando falamos em reabilitação. Não podemos pensar com um profissional ou tratar apenas uma área do paciente, ele tem que ser visto como um todo. O homem é um ser biopsicossocial, tem que tratar o físico, o corpo e o emocional, e, para isso, tem que demandar vários profissionais da área da saúde”, avaliou.

Nunca, em momento algum, Pesqueira sediou um conjunto de palestras de tão alto gabarito e de excelente conhecimento. A boa notícia é que os mesmos profissionais que se emocionaram com as experiências partilhadas no evento, são os mesmos que a partir de segunda-feira voltam a cuidar dos pacientes de Pesqueira, só que com um novo olhar, mais humano, mais dedicado e isso vai refletir na melhoria da qualidade de vida das pessoas.

“Hoje foi plantada uma semente em cada profissional de saúde, de poder ter um olhar diferenciado, integrado, que só traz benefícios aos pacientes”, afirmou Leonora Tenório, fisioterapeuta que participou ativamente do simpósio.

(Texto: Flávio J Jardim)

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