
Temos assistido, nos últimos dias, uma estratégia que vem sendo adotado a todo vapor, pelo grupo político que perdeu as eleições em Pesqueira: até com o parecer da Procuradoria Eleitoral do TSE se faz proselitismo, para criar um clima de instabilidade, o que não procede, porque a Instituição não está fazendo mais do que o seu papel.
Mas, ao se atentar melhor, perceberá que através das redes sociais, o grupo da prefeita vem procurando criar uma cortina de fumaça, como se estivesse em uma campanha eleitoral, dando a entender que o caso está junto à Justiça Eleitoral e está praticamente sacramentado, o que não é verdade.
Grosso modo, cotidianamente, o que dizem as mensagens nas redes sociais: um governo que continua, que as obras não param e que muito foi feito em 04 anos de governo. Então, como se sustenta essa narrativa, se foi rejeitado pela maioria da população, nessas eleições?
Num comportamento de como se estivesse numa pré-campanha eleitoral, procurando passar uma mensagem difusa, de que haverá nova eleição no município a qualquer custo, num pré-julgamento, sem nem esperar pela decisão final do TSE.
Na verdade, há um propósito da cúpula por trás de tudo isso, que muitas vezes não é percebido: o de tentar manter motivado o seu grupo político, que sofreu um forte abalo, com a derrota sofrida nas urnas e anda desestimulado. Um contraponto à parte vencedora, que continua mobilizada, diante da vitória no pleito eleitoral.
Assim, essa estratégia que vem sendo adotada pelo grupo político que foi derrotado nas eleições municipais, tenta desviar a atenção daquilo que é importante, procurando esconder suas fragilidades, que terão que enfrentar.
Vejamos:
Se ocorrer a eleição complementar em Pesqueira, não estarão mais com a máquina nas mãos, que usaram e abusaram sem limite. Desse modo, diante desta nova realidade, qual a garantia de permanecerem unidos, sem esse valioso instrumento nas mãos?
Vale salientar que, se ocorrer eleição, ela será solteira, somente para prefeito e não terão mais os candidatos a vereadores para ajudar, principalmente, aqueles que perderam.
Desse modo, se a saída é o de fazer o presidente da Câmara, há variáveis nessa questão a serem resolvidas, sem garantia nenhuma de que dê certo. Porque o Presidente da Câmara que vier a assumir a prefeitura, caso haja nova eleição, pode se tornar um potencial candidato a prefeito, o que pode ir de encontro a interesses de diversos atores do mesmo grupo, até do pretenso candidato natural, o que pode culminar com divisões internas e até deserções irreversíveis.
Outro ponto que merece ser observado, diz respeito aos recursos de campanha. Será que terão tantos recursos para gastar, em havendo um novo pleito, na proporção do que foi gasto no passado?
Para se ter uma ideia, a vontade de mudança nessas eleições foi tanta, que nem a decisão do TRE – faltando uma semana para o pleito – que foi amplamente explorada pelo grupo da prefeita, não foi capaz de mudar o resultado e o Cacique Marcos, venceu as eleições, com 51,6% dos votos válidos.
Mesmo diante de todos esses fatos, o que prevaleceu foi o sentimento de mudança, que era algo bem visível e palpável. Mesmo diante de toda estrutura montada, com o uso da máquina pública municipal à exaustão, com a ajuda de órgãos do governo federal em Pesqueira, com a propagação de fake news e com os disparos em massa de mensagens, ainda assim, perderam as eleições para uma liderança indígena de origem popular.
Portanto, essa fadiga de material político já vinha sendo percebida desde 2018, com a derrota para deputado do grupo e foi sacramentada em 2020, com a derrota da prefeita. Isso não ocorreu à toa, foram muitos anos de hegemonia política, no município, desse grupo, da qual a população se cansou, ao constatar que não houve melhoria na qualidade de vida, ao longo desse tempo.
Artigo Por Fábio Amorim





