Alimentos, etanol e gasolina ficarão mais baratos com o corte do imposto de importação, como acredita o governo? Veja a opinião de especialistas

Expectativa do governo é de que o litro da gasolina fique até R$ 0,20 mais barato depois da adição do álcool importado - FOTO: ALEXANDRE GONDIM/Arquivo JC IMAGEM

Governo federal anunciou que vai zerar até o final deste ano o imposto de importação sobre o etanol, alguns alimentos, eletroeletrônicos, e de máquinas e equipamentos para a indústria

A recente medida do governo federal de zerar o imposto de importação sobre o etanol, seis itens da cesta básica de alimentos, e ainda de eletroeletrônicos e máquinas para industrias, com o intuito de baixar a inflação deste ano, pode não ter os resultados esperados, segundo os especialistas ouvidos pela reportagem do JC.

Para Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar-PE, a medida de zerar o imposto sobre o etanol que vem de fora, sobretudo dos Estados Unidos, não garante a redução no preço final dos combustíveis vendidos aqui e ainda causa problemas para o mercado interno. “A tradição mostra que não há diminuição dos preços com a compra desse álcool importado pelas distribuidoras e importadores”, afirmou Renato Cunha. Hoje, o Brasil traz de fora cerca de 800 milhões de litros de etanol, o que equivale a cerca de 30% da produção do Norte e Nordeste. O imposto é de 18% sobre o etanol importado.

Renato Cunha ainda pontuou que estimular a importação do álcool desestimula a produção interna, aquela que gera empregos, arrecada tributos e promove investimentos aqui. O presidente do Sindaçucar também reclamou que não haveria reciprocidade, ou seja, os exportadores americanos ganhariam ao vender no Brasil um produto sem imposto, enquanto os exportadores brasileiros não teriam nenhum benefício do governo americano na hora de vender seus produtos (açúcar e álcool) para os Estados Unidos. “Teria que haver uma contrapartida”, diz Cunha.

Expectativa do governo é de que o litro da gasolina fique até R$ 0,20 mais barato depois da adição do álcool importado – FOTO: ALEXANDRE GONDIM/Arquivo JC IMAGEM

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