Dificilmente, FBC queira ficar sem mandato. Até mesmo por uma questão de logística.

Pernambuco já teve algumas disputas com pessoas da mesma família, mas, geralmente em campos adversários. Um exemplo: João Campos disputou pelo PSB o mandato de deputado federal na mesma eleição em que Marília Arraes disputou pelo PT. Outro exemplo, mas no campo político aliado: Miguel Arraes em 2002 disputou um mandato de deputado federal e foi o mais votado e ajudou a puxar o neto, Eduardo Campos que também disputou uma cadeira de deputado federal. O neto, era candidato à reeleição. Dizem que Arraes não queria Eduardo competindo com ele, e pediu que o neto disputasse uma vaga na Assembleia Legislativa. Eduardo não gostou da ideia e disputou a vaga de deputado federal e foi através dela que conseguiu ser Ministro da Ciência e Tecnologia e logo em seguida disputou o governo de Pernambuco em 2006.

Em 2010 e 2014, por exemplo, foram eleitos dois familiares (cunhados): Augusto Coutinho e Mendonça Filho. Na eleição de 2010, os primos inclusive foram eleitos pelo mesmo partido: O Democratas. Em 2014, Augusto Coutinho disputou pelo Solidariedade. A única eleição em que Mendonça e Augusto disputaram como adversários políticos foi em 2018. Mendonça foi candidato a senador pela oposição e Augusto candidato a federal pela chapa da Frente Popular.

Então, não teremos tanta novidade assim se pai e filho disputarem o mesmo cargo e pelo mesmo campo em 2022. A única novidade aí na história é que teremos Pai e Filho disputando. Uma matemática bem feita e um não atrapalha o outro. Surpresa por surpresa, toda essa eleição pode ter e pode acontecer com qualquer um principalmente em um período que a população clama por renovação. Em caso de uma vitória de Miguel e da família, teremos representantes da família Coelho na Assembleia Legislativa com o deputado Antonio Coelho, na Câmara Federal com Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho e no governo do estado com o próprio Miguel.

A gratidão

Embora tenha o seu nome sempre lembrado para disputar o governo do estado contra o PSB, chamou a atenção o fato do Prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, não ter se posicionado a favor da candidatura de Marília Arraes no segundo turno. Ali, Miguel já estava reeleito com folga e com uma enorme votação, mas não quis colocar seu nome em risco na turbulenta disputa do Recife.

Várias são às justificativas para a ausência de Miguel da disputa de segundo turno no Recife. O MDB da capital (Partido de Miguel) estava apoiando o candidato do PSB, João Campos. O líder do governo no senado que é pai de Miguel, o senador FBC declarou neutralidade, até mesmo porque ficaria difícil para alguém do grupo de Bolsonaro apoiar uma  candidata do PT.

Mas uma das justificativas chama a atenção: Miguel tem uma gratidão com João Campos, pois o prefeito eleito do Recife o apoiou quando ele disputou e venceu pelo PSB em 2016. Naquele ano, João Campos chegou a participar de um evento de Miguel ao lado do governador Paulo Câmara, isso para reforçar que o apoio do PSB e do filho de Eduardo estava com Miguel Coelho. FBC e Eduardo Campos sempre foram muito amigos, até mesmo quando chegaram a ficar um tempo adversários.

Fernando Bezerra Coelho foi prefeito de Petrolina de 1993 a 1996. Depois por mais duas vezes: 2001 a 2004 e 2004 a 2006 quando renunciou e aceitou o convite de Eduardo Campos para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco e presidir o Complexo Portuário do Porto de Suape na gestão do governador Eduardo Campos até fins de 2010. Em 2011, por indicação do próprio Eduardo, FBC virou Ministro do Governo Dilma, deixando o governo em 2013 para apoiar o projeto presidencial de Eduardo Campos