
O ano de 2022 poderá ser marcado por algo inédito em Pernambuco: A renúncia de um prefeito para concorrer ao cargo de governador do estado. Estão nessa lista três nomes: Miguel Coelho (MDB), Raquel Lyra (PSDB) e Anderson Ferreira (PL). O fato mais inusitado será, caso venha a acontecer, do Prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. Isso porque o seu pai, o Senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) estará encerrando o mandato de senador e já imaginou uma chapa majoritária que seja encabeçada por filho e pai? É um pouco complicado.
Digamos que em um cenário onde Miguel consiga viabilizar sua candidatura a governador no campo da oposição, teria que colocar à disposição do grupo a vaga de senador que hoje é do seu pai. Qual seria então o plano de Fernando Bezerra Coelho para esta opção? É simples: Se candidatar a deputado federal, embora também já tenha um filho nesta condição: Fernando Filho, pelo Democratas. Seria o pai candidato a deputado federal por um partido e o filho por outro, para não concorrerem juntos e ficar cada um tentando puxar mais alguns colegas.
Dificilmente, FBC queira ficar sem mandato. Até mesmo por uma questão de logística.
Pernambuco já teve algumas disputas com pessoas da mesma família, mas, geralmente em campos adversários. Um exemplo: João Campos disputou pelo PSB o mandato de deputado federal na mesma eleição em que Marília Arraes disputou pelo PT. Outro exemplo, mas no campo político aliado: Miguel Arraes em 2002 disputou um mandato de deputado federal e foi o mais votado e ajudou a puxar o neto, Eduardo Campos que também disputou uma cadeira de deputado federal. O neto, era candidato à reeleição. Dizem que Arraes não queria Eduardo competindo com ele, e pediu que o neto disputasse uma vaga na Assembleia Legislativa. Eduardo não gostou da ideia e disputou a vaga de deputado federal e foi através dela que conseguiu ser Ministro da Ciência e Tecnologia e logo em seguida disputou o governo de Pernambuco em 2006.
Em 2010 e 2014, por exemplo, foram eleitos dois familiares (cunhados): Augusto Coutinho e Mendonça Filho. Na eleição de 2010, os primos inclusive foram eleitos pelo mesmo partido: O Democratas. Em 2014, Augusto Coutinho disputou pelo Solidariedade. A única eleição em que Mendonça e Augusto disputaram como adversários políticos foi em 2018. Mendonça foi candidato a senador pela oposição e Augusto candidato a federal pela chapa da Frente Popular.
Então, não teremos tanta novidade assim se pai e filho disputarem o mesmo cargo e pelo mesmo campo em 2022. A única novidade aí na história é que teremos Pai e Filho disputando. Uma matemática bem feita e um não atrapalha o outro. Surpresa por surpresa, toda essa eleição pode ter e pode acontecer com qualquer um principalmente em um período que a população clama por renovação. Em caso de uma vitória de Miguel e da família, teremos representantes da família Coelho na Assembleia Legislativa com o deputado Antonio Coelho, na Câmara Federal com Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho e no governo do estado com o próprio Miguel.
A gratidão
Embora tenha o seu nome sempre lembrado para disputar o governo do estado contra o PSB, chamou a atenção o fato do Prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, não ter se posicionado a favor da candidatura de Marília Arraes no segundo turno. Ali, Miguel já estava reeleito com folga e com uma enorme votação, mas não quis colocar seu nome em risco na turbulenta disputa do Recife.
Várias são às justificativas para a ausência de Miguel da disputa de segundo turno no Recife. O MDB da capital (Partido de Miguel) estava apoiando o candidato do PSB, João Campos. O líder do governo no senado que é pai de Miguel, o senador FBC declarou neutralidade, até mesmo porque ficaria difícil para alguém do grupo de Bolsonaro apoiar uma candidata do PT.
Mas uma das justificativas chama a atenção: Miguel tem uma gratidão com João Campos, pois o prefeito eleito do Recife o apoiou quando ele disputou e venceu pelo PSB em 2016. Naquele ano, João Campos chegou a participar de um evento de Miguel ao lado do governador Paulo Câmara, isso para reforçar que o apoio do PSB e do filho de Eduardo estava com Miguel Coelho. FBC e Eduardo Campos sempre foram muito amigos, até mesmo quando chegaram a ficar um tempo adversários.
Fernando Bezerra Coelho foi prefeito de Petrolina de 1993 a 1996. Depois por mais duas vezes: 2001 a 2004 e 2004 a 2006 quando renunciou e aceitou o convite de Eduardo Campos para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco e presidir o Complexo Portuário do Porto de Suape na gestão do governador Eduardo Campos até fins de 2010. Em 2011, por indicação do próprio Eduardo, FBC virou Ministro do Governo Dilma, deixando o governo em 2013 para apoiar o projeto presidencial de Eduardo Campos







