O secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Mohammed Barkindo, declarou que as atuais e futuras sanções anti-russas podem causar um dos piores choques de oferta de petróleo da história, acrescentado que seria impossível substituir o volume de óleo perdido em tal situação. “Aproximadamente sete milhões de barris de petróleo russo estão abandonando diariamente o mercado global devido aos efeitos das sanções e outras restrições sobre o comércio do país. A volatilidade atual no mercado se deve a fatores não fundamentais e fora do controle da OPEP, sendo responsabilidade da União Europeia promover uma abordagem realista quanto à transação energética”, destacou Barkindo.
Efeitos da crise energética
Recentemente o Parlamento Europeu determinou o embargo imediato aos produtos energéticos da Rússia, entre eles, petróleo, carvão, gás natural e combustível nuclear. A UE compõe a maioria das nações do mundo que importam a maior quantidade de fornecimentos de energia da Rússia, por isso os especialistas advertem que esse corte poderá trazer resultados catastróficos e o colapso de algumas indústrias. Já o diretor do gigante energético da Áustria OMV anunciou que seria “impossível” para o seu país parar de comprar o gás russo. Além disso, a Hungria e a Eslováquia demonstraram que irão ignorar a medida por autopreservação.
Por outro lado, os Estados Unidos se comprometeu em aumentar as suas exportações de gás natural liquefeito para abastecer o mercado europeu, porém a maior parte dos terminais de GNL na Europa já está funcionando na capacidade plena, o que implica que não existiria um reservatório para poder armazenar o combustível.
No entanto, desde o início da guerra ucraniana o petróleo e o gás não são os únicos produtos que enfrentam problemas para o suprimento mundial. Isso porque a Rússia e a Ucrânia em conjunto produzem cerca de um terço das exportações globais de trigo, além de ambos os países também serem fortes exportadores de óleo de girassol e fertilizantes. Com este cenário os preços dos alimentos alcançaram patamares históricos, e muitas nações e ONGs alertam que num futuro próximo, principalmente para os países mais pobres, poderá haver escassez de alimentos.
Por: Colaboração Isabel Alvarez – RIO (RJ)




