‘MENINO DO PÃO’ É IMPEDIDO DE VENDER PÃES FEITOS PELA MÃE APÓS DENÚNCIA ANÔNIMA AO CONSELHO TUTELAR

Kauan, de 14 anos, conhecido como o “Menino do Pão” em Itapeva, interior de São Paulo, foi proibido de vender pães caseiros após uma denúncia anônima ao Conselho Tutelar. A decisão, baseada no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veta trabalho para menores de 16 anos, gerou comoção nas redes sociais e debates sobre trabalho infantil e vulnerabilidade social. A venda do produto não atrapalhava os estudos do jovem vendedor.

Kauan ajudava a mãe, diarista, na produção e venda de pães para sustentar a família, onde o pai enfrenta desemprego. Ele conciliava a atividade com os estudos, mantendo boas notas. O Conselho Tutelar, após a denúncia, determinou a interrupção imediata, alegando proteção contra exploração. “Nosso dever é garantir que crianças priorizem educação e lazer”, afirmou uma conselheira ao Portal 96 FM.

A decisão dividiu opiniões. Nas redes, como Instagram e X, moradores de Itapeva e cidades próximas, como Barra Bonita, criticaram a medida, defendendo que a atividade era voluntária e não prejudicava Kauan. “Ele é um exemplo de responsabilidade”, disse uma vizinha em post no Facebook, com mais de 500 compartilhamentos. A hashtag #MeninoDoPão ganhou força, com fotos do adolescente circulando, como em posts do perfil @republiqueBRA.

Especialistas destacam o dilema. “Em contextos de pobreza, é preciso equilibrar proteção e realidade econômica”, diz a advogada Maria Helena Oliveira, da USP. Dados do IBGE mostram que 1,4 milhão de crianças e adolescentes trabalham no Brasil, muitas em situações informais como a de Kauan.

A família, que prefere anonimato, lamenta a perda da renda extra. “Ele está triste, mas respeitamos a lei”, afirmou a mãe ao Blog do Paulo Pessoa. O Conselho Tutelar oferece suporte social, como acesso ao Bolsa Família. A comunidade reagiu com uma vaquinha online e petições pela revisão do caso.

O “Menino do Pão” parou de vender, mas sua história reacende o debate sobre pobreza e proteção infantil no Brasil, questionando como conciliar a lei com a sobrevivência familiar.

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