Uma mobilização internacional que reúne cientistas, médicos-veterinários, juristas e ONGs de proteção animal pede o fim do abate de jumentos e do comércio de suas peles no Brasil. O movimento ocorre em resposta a um declínio expressivo de cerca de 94% da população desses animais no país nas últimas décadas, encolhendo de 1,3 milhão nos anos 1990 para aproximadamente 78 mil nos levantamentos mais recentes.
A acentuada redução populacional é impulsionada principalmente pela demanda internacional pela pele do animal, utilizada na fabricação do ejiao — iguaria da medicina tradicional chinesa à base de colágeno. Como os jumentos possuem gestação longa (cerca de 12 meses) e baixa taxa reprodutiva, além de não haver uma cadeia de criação estruturada para abate no país, a atividade se sustenta pela captura e compra de rebanhos existentes, o que ameaça a sobrevivência da espécie.
A Bahia tornou-se o epicentro dessa disputa judicial. Cerca de 248 mil jumentos foram abatidos no estado entre 2018 e 2024. Em abril deste ano, a 1ª Vara Federal da Bahia determinou a proibição do abate de equídeos no estado, apontando ocorrência de maus-tratos, transporte inadequado e riscos à preservação da espécie.
O debate também se estendeu ao Poder Legislativo. No Congresso Nacional, tramitam o Projeto de Lei 2.387/2022 na Câmara dos Deputados e o Projeto de Lei 2.613/2026 no Senado, ambos com o objetivo de proibir o abate e a exportação de jumentos e equídeos em todo o território nacional. Enquanto a comunidade científica defende alternativas como a produção sintética do colágeno em laboratório e alertas para os riscos sanitários da atividade, o setor frigorífico sustenta a defesa de uma cadeia regulada.




